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domingo, 1 de novembro de 2015

Morro Botucaraí, muito à fazer...

Tirei alguns tópicos deste belo trabalho,o Morro possui um potencial de estudos para uma melhor conservação de suas espécies;estudar  para manter e conservar é o mais sensato.







Ha algum tempo publicamos uma reportagem no jornal local e esta foto, divulgando o trabalho de Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Área de Concentração em Silvicultura, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS)



O Alessandro e sua fiel escudeira Anelise trabalharam incansavelmente, com chuva ou com sol o ânimo era o mesmo. a vontade de fazer as medições mais precisas, também passar o dia todo só com umas frutas,um sanduíche ou um miôjo, só para fazer o dia render,...
Parabéns, 144 paginas de pura dedicação, sucesso para vocês, que O Grande Arquiteto do Universo Ilumine-os pela vida toda...

Divulgarei parte do estudo...


Veja:


UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CENTRO DE CIÊNCIAS RURAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
ENGENHARIA FLORESTAL











ECOLOGIA E FITOSSOCIOLOGIA DA VEGETAÇÃO
ARBÓREA DE UM MORRO TESTEMUNHO
 NO SUL DO BRASIL







DISSERTAÇÃO DE MESTRADO







Alessandro Abreu Fávero






Santa Maria, RS, Brasil
2015
ECOLOGIA E FITOSSOCIOLOGIA DA VEGETAÇÃO
ARBÓREA DE UM MORRO TESTEMUNHO  NO SUL DO BRASIL












Alessandro Abreu Fávero




Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de 
Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Área de Concentração em 
Silvicultura, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS),  como requisito parcial para obtenção do grau de 
Mestre em Engenharia Florestal






Orientador: Prof. Dr. Solon Jonas Longhi






Santa Maria, RS, Brasil
2015
       


Universidade Federal de Santa Maria


                                            **********editado**********


Centro de Ciências Rurais
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal




A Comissão Examinadora, abaixo assinada,
Aprova a Dissertação de Mestrado



ECOLOGIA E FITOSSOCIOLOGIA DA VEGETAÇÃO
 ARBÓREA DE UM MORRO TESTEMUNHO
NO SUL DO BRASIL


Elaborada por
Alessandro Abreu Fávero



como requisito parcial para obtenção do grau de
Mestre em Engenharia Florestal


COMISSÃO EXAMINADORA:


Solon Jonas Longhi, Dr. (Presidente/Orientador)


Jorge Luiz Waechter, Dr. (URFGS)


Sônia Maria Eisinger, Dr. (UFSM)





Santa Maria, 27 de fevereiro de 2015.
AGRADECIMENTOS

Ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, da Universidade Federal de Santa Maria, RS.

Ao professor Solon Jonas Longhi por ter acreditado em mim, pela amizade, apoio, empréstimos de livros, envio de artigo, revisões, sugestões e conselhos.

Ao co-orientador Frederico Dimas Fleig pela atenção, apoio e sugestões.

Aos meus parceiros de campo a Doutoranda do PPGEF Anelise Marta Siegloch e ao Marcelo Coimbra da Silva do Grupo GAAIA pela amizade e companheirismo foram fundamentais para a realização desta dissertação.

Agradeço a Anelise M. S., a qual tornou essa jornada mais significativa ..., pela sua compania, pelo apoio e pelo carinho. Jamais esquecerei.

Aos componentes da banca de defesa pela participação, sugestões e recomendações.

A todos que de alguma forma contribuíram para que esta pesquisa fosse possível.

Agradeço ao Universo por ter adicionando na minha jornada o Morro do Botucaraí e as magníficas pessoas mencionadas.

A todos meus sinceros agradecimentos.








          

A cultura humana é o produto natural e necessário da natureza humana, tal qual historicamente se apresenta. Entre os fatores da cultura, os mais importantes são os internos: inteligência espiritual, vontade livre e vida emotiva; seguem, em segunda linha os fatores de caráter social: família, estado político e sociedade religiosa; vêm, em terceiro lugar, os fatores do ambiente externo: caráter de economia, ciclo anual do clima, fisionomia geral da paisagem.”

(Balduino Rambo – Fundamentos da Cultura RioGrandense, 1954)
RESUMO

Dissertação de Mestrado
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal
Universidade Federal de Santa Maria

ECOLOGIA E FITOSSOCIOLOGIA DA VEGETAÇÃO
ARBÓREA DE UM MORRO TESTEMUNHO
NO SUL DO BRASIL

AUTOR: ALESSANDRO ABREU FÁVERO
ORIENTADOR: SOLON JONAS LONGHI
Data e local da defesa: Santa Maria, 27 de fevereiro de 2015.

A pesquisa avalia a florística, contingente fitogeográfico, descritores de estrutura ecológica, fitossociologia espacial e composição de guildas ecológicas da vegetação arbórea em um morro testemunho, também examina as variáveis de altimetria e morfometria. Obtiveram-se os dados abióticos e bióticos em 15 unidades amostrais (10 x 50m), dispostas em transectos contínuos, do topo a base do morro, perfazendo 7.500 m2 de amostragem.

Registraram-se dados de árvores com a circunferência à altura do peito ≥ 15,7cm, (1,30m de altura ao nível do solo). As variáveis ambientais foram oriundas da altimetria (altitude, declividade e diferença de nível) e morfometria (afloramento rochoso, curvatura vertical, exposição solar e profundidade do solo), além da densidade de cobertura vegetal e clareiras (abertura do dossel). A presente dissertação possui três capítulos. O primeiro capítulo caracteriza a florística e o contingente fitogeográfico da vegetação arbórea. O segundo capítulo avalia a diversidade biológica: riqueza de espécies, heterogeneidade (índices de diversidade biológica alfa) e modelos de dominância (ranking de abundância); e examina a análise exploratória das relações entre as espécies e as variáveis ambientais. O terceiro capítulo analisa a fitossociologia espacial e composição de guildas ecológicas em diferentes zonas ecológicas na vertente do morro.

              ********************************editado*******************************************


De acordo com Rambo (1956), o Planalto no Estado do Rio Grande do Sul não pode ser caracterizado como uma única região, pois as diferenças entre os extremos são demasiadamente pronunciadas, em que os caracteres fisionômicos se misturam frequentemente em trechos relativamente pequenos dificultando a descrição do planalto.




Figura 3 – Estado do Rio Grande do Sul, Regiões Morfológicas: Planalto, Encosta, Serras de Sudeste, Depressão Central, Campanha e Litoral (BERNARDES, 1997).

O relevo escarpado do Planalto vulcânico do Estado do Rio Grande do Sul é uma região de contato de rochas vulcânicas do Planalto com as rochas sedimentares, definido como Rebordo do Planalto Meridional e constitui uma área importante da Floresta Estacional Subtropical (ROBAINA et al., 2011), e se caracteriza pelas declividades acentuadas e áreas de instabilidades (PEDRON et al., 2011).
A região do rebordo do Planalto Meridional é constituída de duas frentes continuas:
uma cuja escarpa tem orientação Nordeste (NE) que possui a face com o oceano Atlântico e outra cuja frente é meridional e prolonga-se de Leste para Oeste, localizada na porção central do Rio Grande do Sul (ROBAINA et al., 2011). O Planalto da região nordeste tem maiores altitudes do estado, onde ultrapassam 1.000 m, decaindo gradativamente, rumo ao Noroeste e ao Oeste, em direção à calha do rio Uruguai, 60 a 70 m de altitude sobre o nível do mar (STRECK et al., 2008; ROBAINA et al., 2011). 
Junto à escarpa oriental do litoral as altitudes são cerca de 1.200 metros, mais ao centro do Estado do Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, a altitude é de cerca de 670 metros e pouco a Oeste de Santa Rosa, as altitudes atingem cerca de 250 metros, desse modo, estes algarismos traduzem uma queda de aproximadamente 1.000 metros ao longo de cerca de 700 quilômetros (BERNARDES, 1997).
 Na região central do Estado do Rio Grande do Sul, a província da Depressão Periférica é uma área de rochas sedimentares diversificadas, apresenta o relevo ondulado à suave ondulado (coxilhas), as altitudes médias estão entre 40 a 100 metros e geologicamente faz parte da bacia sedimentar Bacia do Paraná (STRECK et al., 2008).  
Segundo Bernardes (1997) a Depressão Central é representada por toda a região ao sopé do Planalto e compreende terrenos permo-carboníferos e triásicos subjacentes à possante capa de efusivas.


1.6 Morro do Botucaraí


 O Morro do Botucaraí é conhecido popularmente como “Cerro do Botucaraí” que deve ter sido originado do termo Ibytycaray na Língua Guarani, sendo, na atualidade, objeto de estudos de lendas, tesouros escondidos e monge santo. Destaca-se, o fato do morro, ter sido visitada pelo botânico Friedrich Sellow que estudou a flora sul-brasileira, inclusive na literatura Flora Brasiliensis o local é designado como In summo monte Botucurahy (RAMBO, 1956).
Segundo Hintz (2006), o formato do morro corrobora com as teorias de que esta região já fora inundada pelo mar, e seu topo, foi uma ilha, e suas escarpas teriam sido moldadas pelas ondas das águas, corroborando com Rambo (1954); na Era Cenozóica no Período do Terciário, a cerca de 60 milhões de anos A.P., a ingressão marítima determinou a fisionomia definitiva do centro e sudeste do Estado do Rio Grande do Sul. 
 Nos dias atuais, o Morro do Botucaraí é apreciado pela sua beleza cênica, sendo um dos morros isoladas mais belos do Estado do Rio Grande do Sul, sendo frequentado por observadores de aves, religiosos, ufologistas, cientistas, escaladores, tracking e admiradores da natureza. Cabe destacar, a presença do grupo GAAIA que esta enganjado na preservação e conservação.
 Conforme Hintz (2006), historicamente, no Morro do Botucaraí ocorreram três ocupações, como segue abaixo:

(i)                 Primeira ocupação – magos e feiticeiros indígenas: os seus primeiros moradores não eram nada amistosos, nem seguidores da fé cristã. Índios bravios e magos feiticeiros ocupavam o morro e as redondezas ainda no tempo das reduções, como o grande mago feiticeiro, muito temido, chamado Yeguacaporú, o qual se fazia adorar como se fosse um deus, irmão de Yaguarobi e filho de Chemboabate, igualmente horríveis. Tendo o verdadeiro ódio aos jesuítas. 
(ii)               2ª ocupação – jesuítas permanecem no morro até o retorno dos Bandeirantes: após a destruição da redução Jesus-Maria, o domínio do morro teria passado às mãos de jesuítas. Em 1716, continuava nas imediações do morro a exploração dos ricos ervais por jesuítas e índios da redução Jesus-Maria. Neste mesmo ano, os bandeirantes paulistas vieram em busca de prata; no entanto, a tão cobiçada
“prata” era apenas a erva-mate, ali beneficiada. Ao tentar escalar o morro, os invasores teriam sido atacados a tiros, por índios e jesuítas, fazendo-os recuar. A estrada ainda existente nas adjacências do morro era a rota por onde passavam carretas carregadas de erva-mate; esta teria sido, também, a rota dos tropeiros que se dirigiam ao Uruguai e à Argentina, ladeando o morro na encosta Sul. O local foi abandonado pelos jesuítas por volta de 1767, quando eles foram totalmente expulsos do território gaúcho.
(iii)             3ª ocupação – monge João Maria de Agostini: oitenta anos após, surge um novo pregador no morro, fundador de uma organização religiosa. O monge João Maria d’Agostini era originário de Piemonte, na Itália. A sua primeira estada no morro deu-se em 1846, quando teria se deslocado para Campestre, em Santa Maria, RS, onde ele próprio intitulou-se solitário eremita do Botucaray. Perseguido pela milícia imperial, o monge teria retornado ao morro em 1849 para refugiar-se, sendo preso no local.
Por cerca de 1960, um audacioso projeto turístico começou a ser desenvolvido pela família Pertille, de Cachoeira do Sul, RS, donos, na época, da Rádio Princesa do Jacuí, o chamado “Projeto do Bondinho”, cujo objetivo era construir, em dois anos, um complexo turístico no cume do morro, incluindo a instalação da Rede TV – Princesa.
Nos dias atuais, muitos são os que procuram o morro para pagamento de promessas e pedidos de curas nas águas de sua fonte. O misticismo que envolve o morro tem variadas origens religiosas. A primeira é da crença anticristã, cultuada por índios pagãos, seguida da ocupação cristã católica e da seita individual, pregada por uma pessoa tida como santa e milagreira (o Santo Monge). Desse modo, não é de estranhar que a cultura do “Santo Cerro”
(e da “prata escondida”) se perpetue no imaginário de muitas pessoas (Hintz, 2006).
No entanto, a maior riqueza do Morro do Botucaraí, além de sua paisagem natural e valor cultural, é o tesouro científico representado por sua flora e fauna, além do patrimônio paleontológico, uma vez que existem registros de fósseis nas cercanias, como o Guaibassaurus candelarensis Bonaparte, 1999, descoberto pela fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul em 1996, além de Gimnospermas fósseis.
             
2 METODOLOGIA GERAL


2.1 Caracterização da área de estudo


A pesquisa foi realizada na Floresta Latifoliada Estacional Subtropical Submontana de Cumeada (Oliveira-Filho, 2009), situada na encosta do rebordo do Planalto Meridional SulBrasileiro, na região central do Rio Grande do Sul, mais especificamente no Morro do
Botucaraí (29º42’ S e 52º50’ W), distante, aproximadamente, a 6 km a sudoeste da cidade de Candelária.
A região é classificada no tipo de clima Cfa, conforme Köppen, com precipitação média de 1.564mm e temperatura média anual de 19,2ºC (Moreno, 1961). Ferraz & Roberti (2011), no rebordo do Planalto Meridional, avaliaram a precipitação e temperatura para os anos 2000 a 2004, constatando que: a precipitação possui distribuição uniforme, com chuvas fortes no fim do inverno e primavera; existem gradientes de temperatura sazonal e espacial do L para O; e a topografia é relevante para a temperatura. A precipitação pluviométrica, ao longo do ano, varia de 60 a 140 mm nos meses de verão, outono e inverno, e de 100 a 320 mm nos meses de primavera; a temperatura média no mês de janeiro atinge 24ºC, com máximas em torno de 40ºC; nos meses de inverno, a temperatura média é de 8ºC, sendo o mês de julho o mais frio, com ocorrência de geadas.
O solo da região é derivado de rochas efusivas básicas da Formação Serra Geral, ocorrendo derrames de lavas basálticas com incrustações de calcita. Pertence à unidade de mapeamento Charrua, caracterizado por solos rasos, de textura média, poucos desenvolvidos, moderadamente drenados, ligeiramente ácidos e neutros, com alta saturação de bases e sem problemas de alumínio trocável (Brasil, 1973). No Sistema Brasileiro de Classificação de Solo – SiBCs (Embrapa, 2006), a unidade de mapeamento Charrua compreende os Neossolos Regolítico Eutrófico Léptico e Litólico Eutrófico.
O Morro do Botucaraí tem seu ponto mais alto à cerca de 570 metros de altitude sobre o nível do mar (Figura 1), lembrando, segundo o botânico e fitogeógrafo Balduino Rambo:





Figura 1 – Planta altimétrica do Morro do Botucaraí, na Depressão Central, próximo ao rebordo do Planalto Meridional do Rio Grande do Sul.


O Cerro do Botucaraí parece um castelo truculento de rochedos, com uma grande variabilidade de aspecto e descreve-se que visto ao norte parece um único pilar rochoso, estreito e truncado; visto de Santa Cruz, apresenta-se como largo tabuleiro de regular declividade; visto do sul, transforma-se em estreita aresta, uniformemente inclinada sobre a planície.
Voando de avião ao redor descobre-se a sua verdadeira forma: em sentido Leste-Oeste, aparecem as faces compridas da aresta, fracamente inclinadas na base, verticais deste o terço de altura em diante; em sentido Sul-Norte, aparece a face curta, produzindo a impressão de longa aresta; em direção Norte-Sul apresenta-se a parte mais alta do norte, onde os paredões são mais elevados e íngremes (Rambo, 1956, p. 342).


2.2 Amostragens


A amostra dos dados consiste de 15 unidades amostrais de 10 x 50m subdivididas em subunidades amostrais de 10 x 10m; dispostas em transectos contínuos (MUELLERDOMBOIS; ELLENBERG, 1974) no sentindo NE ao SE, do topo até a baixada do morro, perfazendo 7.500 m2 de amostragem.
Avaliou-se a vertente do morro através da classificação de Cavalcanti (2014) que incide nas seguintes categorias (Figura 2): topo, encosta-superior, meia-encosta, encostainferior e base. 


Figura 2 – Diferentes posições dos segmentos de relevo (CAVALCANTI, 2014).
Foram alocadas quatro unidades amostrais (2.000 m2) no topo, duas (1.000 m2) na encosta-superior, três (1.500 m2) na meia-encosta, duas (1.000 m2) na encosta-inferior e quatro (2.000 m2) na base. Nestas, examinou-se o perfil das unidades de vertente de Darlymple et al. (1968) (CHRISTOFOLETTI, 2011), que divide e caracteriza as unidades de perfil de relevo em função da declividade e dos processos morfogenéticos dominantes e atuantes (ver Referencial Teórico, Figura 1 e Tabela 1).


2.3 Coleta de dados


2.3.1 Dados abióticos


Nas unidades amostrais foram mensurados e registrados os valores dos descritores de altimetria e morfometria.
As variáveis de altimetria mensuradas, com base em Valeriano (2008) e Tuler e Saraiva (2014), foram: altitude, declividade média e diferença de nível.
Os valores de altitude foram obtidos nas subunidades amostrais, onde se registrou os valores nas arestas e no centro para em seguida obter o valor médio; usou-se o aparelho digital de Sistema de Posicionamento Global (GPS). Os valores de declividade da área foram obtidos para cada lado das subunidades amostrais, em graus de inclinação, e após obteve-se a média de inclinação; usou-se o hipsômetro digital Vertex III. A diferença de nível foi obtida para cada subunidade amostral, correspondendo diferença de altura entre dois pontos topográficos (altitude), no sentido da unidade amostral.
As variáveis de morfometria aferidas foram: afloramento rochoso, curvatura vertical, exposição solar e profundidade do solo, conforme Mueller-Dombois e Ellenberg (1974) e Cavalcanti (2014).
O afloramento rochoso avaliaou-se visualmente a percentagem da superfície da subunidade amostral ocupada por rocha exposta. Adotou-se a respectiva escala nominal: 0 = ausência; 1= 1- 20%; 2 = 21 – 40%; 3 = 41 - 60%, 4 = 61 - 80%; 5 = 81 - 100%. A curvatura vertical da vertente refere-se à forma convexo/côncava/retilíneo do terreno quando analisado em perfil e está correlacionada aos processos de migração e acumulo de água, minerais e matéria orgânica no solo, foi avaliada visualmente. A exposição do terreno foi registrada conforme a maior declividade da subunidade amostral, medida em relação aos pontos cardeais com o uso da bússola de navegação. A profundidade do solo foi obtida com as perfurações realizadas com o trado de rosca, foi mensurada para cada subunidade amostral, nas arestas e no centro, e obteve-se a média de profundidade do solo.


2.3.2 Dados bióticos


Registrou se os dados das árvores com a circunferência à altura do peito maior ou igual a 15,7 cm, medido a 1,30m ao nível do solo. A CAP (circunferência à altura do peito) foi obtida com a trena métrica e a altura total (Ht) das árvores foi mensurada com uma vara graduada de 5 metros ou com o hipsômetro Vertex III. As árvores foram identificadas in loco, coletando-se o material botânico das espécies duvidosas para posterior identificação. A classificação das famílias botânicas segue o critério do Angiosperm Phylogeny Group (APG III, 2009) e, para gêneros e espécies, a Lista de Espécies do IPNI – The International Plant Names Index (2012) (http://www.ipni.org [acessado em 27 de março 2015]).
A densidade de cobertura vegetal avaliou-se por subunidade amostral usando o densiômetro esférico, em cada ponto alocado no centro da subunidade amostral efetuo-se a leitura N, S, L e O e após obteve-se o valor médio.


As clareiras classificaram-se de acordo com a causa de abertura (PUIG, 2008): queda de um galho da copa de uma árvore (clareira parcial ou volis), queda de uma única árvore (clareira elementar), queda de várias árvores simultaneamente (clareira múltipla) e a queda de várias árvores defasadas no tempo (clareiras complexas).

*********************editado****************************

2.2 Composição florística


Na amostragem registraram-se 68 espécies distribuídas em 56 gêneros e 30 famílias botânicas. As famílias botânicas mais representativas quanto à riqueza de espécies foram Euphorbiaceae, Fabaceae e Myrtaceae (6 espécies), seguidas por Lauraceae (5 spp.), Meliaceae, Salicaceae, Sapindaceae (4 spp.) e Boraginaceae (3 spp.). Registraram-se 8 famílias botânicas constituídas por 2 espécies e 14 famílias botânicas por apenas 1 espécie (Tabela 2).
A família botânica com maior número de indivíduos foi Euphorbiaceae com 304 árvores (25,4% do total), seguida por Moraceae com 223 (18,6%), Meliaceae com 179 (15%) e Myrtaceae com 126 árvores (10,5%). As espécies com maior abundância foram Actinosmon concolor com 234 indivíduos (19,6% do total), Sorocea bonplandii com 220 (18,4%) e Trichilia claussenii com 161 indivíduos (13,5%), essas arvoretas são típicas do sub-bosque, sendo que A. concolor é tolerante a sombra e autocórica e S. bonplandii e T. claussenii são tolerante a sombra e zoocórica.


******************editado****************************



Tabela 2 – Florística (família, espécies e nome vulgar) e guildas ecológicas da comunidade arbórea do Morro do Botucaraí. Guilda de requerimento de luminosidade (P = pioneira, DL = demandante de luminosidade, TS = tolerante a sombra); guilda de dispersão de diásporos (Ane = anemocórica, Aut = autocórica, Zoo = zoocórica).

Família e Espécie 
Nome vulgar 
Guilda 
Anacardiaceae 
Lithraea brasiliensis Marchand 
bugreiro 
P-Zoo 
Annonaceae   
Annona neosalicifolia H.Rainer 
ariticum 
DL-Zoo 
Annona rugulosa (Schltdl.) H.Rainer 
cortiça 
TS-Zoo 
Araliaceae      
Schefflera calva (Cham.) Frodin & Fiaschi 
caixeta 
TS-Zoo 
Arecaceae       
Euterpe edulis Mart. 
palmito-juçara 
TS-Zoo 
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman 
jeriva 
DL-Zoo 
Boraginaceae             
Cordia americana (L.) Gottschling & J.S.Mill.  
guajuvira 
DL-Ane  
Cordia ecalyculata Vell. 
louro-mole 
DL-Zoo 
Cordia trichotoma (Vell.) Steud. 
louro-pardo 
DL-Ane 
Cannabaceae              
Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg. 
esporão-de-galo 
P-Zoo 
Cardiopteridaceae      
Citronella paniculata (Mart.) R.A.Howard 
pau-de-corvo 
TS-Zoo 
Celastraceae               
Schaefferia argentinensis Speg. 

TS-Zoo 
Ebenaceae      
Diospyros inconstans Jacq. 
baga-de-jacu 
DL-Zoo 
Euphorbiaceae           
Actinostemon concolor (Spreng.) Müll.Arg. 
laranjeira-do-mato 
TS-Aut 
Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll.Arg. 
tapiá 
DL-Zoo 
Pachystroma longifolium (Nees) I.M.Johnst. 
mata-olho 
TS-Zoo 
Sapium glandulosum (L.) Morong 
pau-de-leite 
P-Aut 
Sebastiania brasiliensis Spreng. 
leiteiro 
DL-Aut 
Tetrorchidium rubrivenium Poepp. & Endl. 
canemuçu 
P-Aut 
Fabaceae        
Erythrina falcata Benth. 
corticeira-da-serra 
DL-Zoo 
Inga marginata Willd. 
ingá-feijão 
P-Zoo 
Machaerium paraguariense Hassl. 
pau-de-malho 
DL-Ane  
Myrocarpus frondosus Allem. 
cabreúva 
DL-Ane  
Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan 
angico-vermelho 
P-Ane 
Senegalia bonarienesis (Gillies) Seigler & Ebinger 
unha-de-gato 
DL-Ane 
                 
Família e Espécie 
Nome vulgar 
Guilda 
Lamiaceae      
Vitex megapotamica (Spreng.) Moldenke 
tarumã 
DL-Zoo 
Lauraceae       
Aiouea saligna Meisn. 
canela-vermelha 
TS-Zoo 
Nectandra lanceolata Ness & Mart. 
canela-amarela 
DL-Zoo  
Nectandra megapotamica Mez 
canela-merda 
DL-Zoo  
Ocotea puberula (Rich.) Nees 
canela-guaicá 
DL-Zoo  
Ocotea silvestris Vattimo-Gil 
canela 
TS-Zoo 
Meliaceae       
Cabralea canjerana (Vell.) Mart. 
canjerana 
DL-Zoo  
Guarea macrophylla Vahl 
catiguá-morcego 
TS-Zoo 
Trichilia claussenii C.DC. 
cafeeiro-do-mato 
TS-Zoo 
Trichilia elegans A.Juss 
pau-de-ervilha 
TS-Zoo 
Moraceae        
Ficus luschnathiana Miq. 
figueira-mata-pau 
DL-Zoo  
Sorocea bonplandii (Baill.) W.C.Burger, Lanj. & Wess.Boer 
cincho 
TS-Zoo 
Myrtaceae      
Campomanesia xanthocarpa O.Berg. 
guabiroba 
DL-Zoo  
Eugenia involucrata D.C. 
cereijera 
DL-Zoo  
Eugenia ramboi D.Legrand 
batinga-branca 
TS-Zoo 
Eugenia rostrifolia D.Legrand 
batinga-vermelha 
DL-Zoo  
Eugenia uruguayensis Cambess. 
guamirim 
DL-Zoo  
Myrcianthes pungens (O. Berg) D.Legrand 
guabiju 
DL-Zoo 
Nyctaginaceae           
Pisonia ambigua Heimerl 
maria-mole 
TS-Zoo 
Phytolaccaceae          
Phytolacca dioica L. 
umbu 
P-Zoo 
Seguieria aculeata Jacq. 
limoeiro-do-mato 
DL-Zoo 
Piperaceae      
Piper gaudichaudianum Kunth ex. C.DC. 
pariparoba 
P-Zoo 
Primulaceae   
Myrsine loefgrenii (Mez) Otegui 
capororoca 
TS-Zoo 
Myrsine umbellata Mart. 
capororoca 
DL-Zoo 
Proteaceae      
Roupala montana Willd. 
carvalho 
TS-Zoo 
Rosaceae        
Prunus myrtifolia (L.) Urb. 
pessegueiro-bravo 
DL-Zoo 
Rubiaceae       
Randia fero DC. 
limoeiro-do-mato 
TS-Zoo 
Rutaceae        
Zanthoxylum petiolare A.St.- Hil. & Tul. 
mamica-de-cadela 
DL-Zoo 
                 
Família e Espécie 
Nome vulgar  
Guilda 
Salicaceae       
Banara tomentosa Clos 
guaçatunga 
DL-Zoo  
Casearia decandra Jacq. 
guaçatonga 
TS-Zoo 
Casearia sylvestris Sw. 
carvalhinho 
P-Zoo 
Xylosma pseudosalzmanii Sleumer 
pitiá 
TS-Zoo 
Sapindaceae               
Allophylus edulis Radlk. ex. Warm. 
vacunzeiro 
DL-Zoo  
Allophylus guaraniticus (A. St. Hil.) Radlk. 
chal-chal 
TS-Zoo 
Cupania vernalis Cambess. 
camboatá-vermelho 
DL-Zoo  
Matayba elaeagnoides Radlk. 
camboatá-branco 
DL-Zoo 
Sapotaceae     
Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler ex Miq.) Engl. 
aguaí 
DL-Zoo  
Chrysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk. 
aguaí-vermelho 
P-Zoo 
Simaroubaceae           
Picrasma crenata Engl. 
quássia 
TS-Zoo 
Solanaceae     
Cestrum intermedium Sendtn. 
coerana 
P-Zoo 
Solanum sanctae-catharinae Dunal 
joá-manso 
P-Zoo 
Urticaceae      
Boehmeria caudata Sw. 
assa-de-peixe 
P-Ane 
Urera baccifera (L.) Gaudich. 
urtigão-bravo 
P-Zoo 


ranking de guildas ecológicas referente à riqueza de espécies foi o seguinte:
dependente de luminosidade e zoocórica (27 espécies), tolerante a sombra e zoocórica (20 spp.), pioneira e zoocórica (11 spp.), dependente de luminosidade e anemocórica (5 spp.), pioneira e autocórica (2 spp.) e com apenas 1 espécie as categorias dependente de luminosidade e autocórica, pioneira e anemocórica e tolerante a sombra e autocórica.
Observou-se, a ausência da guilda ecológica tolerante a sombra e anemocórica.


2.3 Fitossociologia espacial horizontal


Inventariaram-se 1.196 indivíduos vivos em 0,75ha, e 48 árvores mortas em pé. A densidade absoluta das árvores estimada foi de 1.594,67 indivíduos por 0,75ha e a área basal total foi igual a 27,442m2 por 0,75ha. Sendo que destes indivíduos 51,5% estão distribuídos nas espécies Actinostemon concolor, Sorocea bonplandii e Trichilia claussenii.
Com relação a frequência relativa das árvores verificou-se que as mais frequentes, foram: Sorocea bonplandiiActinostemon concolorTrichilia clausseniiEugenia rostrifoliaNectandra megapotamicaPachystroma longifolium e Cupania vernalis, perfazendo 10,3% das árvores inventariadas.
Na dominância relativa destacaram-se: Trichilia clausseniiNectandra megapotamicaPachystroma longifoliumEugenia rostrifoliaCupania vernalisSorocea bonplandii e Actinostemon concolor, perfazendo 59,7% da dominância total.
No ranking das espécies com os maiores VI destacaram-se: Trichilia claussenii,
Sorocea bonplandiiActinostemon concolorEugenia rostrifoliaNectandra megapotamicaPachystroma longifolium e Cupania vernalis, perfazendo 157,73 do VI (52,6%). No ranking do VC constataram-se as mudanças nas espécies A. concolor que passou para o segundo lugar e T. claussenii que passou para o terceiro lugar, a espécie S. bonplandii assumiu o primeiro lugar.   
Observaram-se, no ranking do VI, acima, que as espécies tolerantes a sombra e zoocórica constituem 82,7 do VI (27,6%), a única espécie tolerante a sombra e autocórica, constituí 28,6 do VI (9,5%). E as espécies dependentes da luminosidade e zoocórica perfazem 46,4 do VI (15,4%). 
Examinou-se a fitossociologia espacial horizontal e a composição de guildas ecológicas nas diferentes zonas ecológicas do morro (Tabela 3).
A zona ecológica com maior abundância foi o topo (405 indivíduos), seguido da base (318 ind.), encosta-superior (243 ind.), meia-encosta (131 ind.) e encosta-inferior (99 ind.) (Tabela 3); essas zonas ecológicas possuem áreas de diferentes dimensões. 
As espécies com maior VI no topo, foram: Sorocea bonplandii, Actinostemon concolor, Nectandra megapotamica, Pachystroma longifolium, Ocotea silvestris e Cupania vernalis, constituem 153,67 do VI (51,2%). Relativo ao ranking do VC constatou as seguintes mudanças: P. longifolium passou para o terceiro lugar e N. megapotamica passou para o quarto lugar, C. vernalis passou para quinto lugar e O. silvetris passou para o sexto lugar no ranking (Tabela 3).
 As espécies tolerantes a sombra e zoocórica constituem 77,71 do VI (25,9%); as espécies tolerantes a sombra e autocórica constituem 36,61 do VI (12,2%); por sua vez, as espécies dependentes da luminosidade e zoocórica, constituem 39,35 do VI (13,1%).  
As espécies com maior VI na base, foram: Actinostemon concolor, Sorocea bonplandii, Nectandra megapotamica, Urera baccifera Cupania vernalis, constituem 137,21 do VI (45,7%). E relativo ao ranking do VC constatou-se a mesma sequência atribuída ao VI (Tabela 3).
 As espécies tolerantes a sombra e autocória constituem 39,88 do VI (13,3%); as espécies tolerantes a sombra e zoocórica constituem 32,05 do VI (10,7%); as espécies dependentes da luminosidade e zoocóricas constituem 43,61 do VI (14,5%); por sua vez, as espécies pioneiras e zoocórica, constituem 21,67 do VI (7,2%).
As espécies com maior VI na encosta-superior, foram: Trichilia claussenii e Eugenia rostrifolia, seguidas por Roupala montanaActinostemon concolorEugenia uruguayensisMatayba elaeagnoidesSebastiania brasiliensisSorocea bonplandii e Chrysophyllum gonocarpum,  constituem 175,27 do VI (58,4%).  Relativo ao ranking do VC constatou as seguintes mudanças: A. concolor passou para o quinto lugar e E. uruguayensis passou para o quarto lugar, M. elaeagnoides passou para o sétimo lugar e S. brasiliensis para o sexto lugar no ranking.
 As espécies tolerantes a sombra e zoocórica constituem 82,58 do VI (27,5%); as espécies dependentes da luminosidade e zoocórica constituem 63,73 do VI (21,2%); as espécies tolerantes a sombra e autocórica constituem 16,66 do VI (5,5%) e as espécies dependente da luminosidade e autocórica, constituem 12,31 do VI (4,1%).
As espécies com maior VI na meia-encosta, foram: Trichilia claussenii, Sorocea bonplandii, Eugenia rostrifolia, Pachystroma longifolium e Actinostemon concolor, constituem 205,14 do VI (68,4%). Relativo ao ranking do VC constatou-se a mesma sequência atribuída ao VI (Tabela 3).  
As espécies tolerantes a sombra e zoocórica constituem 152,13 (50,7%); as espécies dependentes da luminosidade e zoocórica constituem 32,34 do VI (10,8%). as espécies tolerante a sombra e autocórica, constituem 20,67 do VI (6,9%).
As espécies com maior VI na encosta-inferior, por sua vez, foram: Trichilia claussenii, Eugenia rostrifolia, Myrcianthes pungens, Nectandra megapotamica e Sorocea bonplandii, constituem 162,2 do VI (54,2%). Relativo ao ranking do VC constatou a mesma sequência atribuída ao VI (Tabela 3). 
As espécies tolerantes a sombra e zoocórica constituem 88,9 do VI (29,6%); as espécies dependentes da luminosidade e zoocórica constituem 73,72 do VI (24,6%)...
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3 DISCUSSÕES


Na vertente do morro detectou-se que os processos geomorfológicos geram a heterogeneidade espacial e, dessa maneira, foi possível constatar nas diferentes zonas ecológicas particularidades na florística, estrutura ecológica, fitossociologia espacial e dinâmica da comunidade arbórea.
No entanto, a florística é pouco dissimilar aos inventários realizados no centro do Estado, devido, principalmente, a ocorrência de Euterpe edulis e Roupala montana, estando em conformidade ao estudo de Sühs et al. (2010). 
De modo geral, as famílias botânicas estão em concordância aos estudos de Longhi et al. (1986), Tabarelli (1992), Alberti et al. (2000), Longhi et al. (2000), Nascimento et al. (2000), Budke et al. (2005), Lindenmaier & Budke (2006), Giehl et al. (2007), Sühs et al. (2010) e Kilca e Longhi (2011). 
As espécies com maior valor sociológico (VI) foram às arvoretas típicas da camada folhosa inferior (sub-bosque), consideradas como espécies clímax (VACCARO, 1997), assim, indicaram a fase de madureza da comunidade arbórea. 
Trichilia claussenii se destacou com maior VI, principalmente, devido a sua dominância relativa, porém, em geral é uma árvore de pequeno porte, desse modo, o valor da dominância relativa está fortemente relacionado com a densidade relativa, ou seja, os indivíduos possuem valores de área basal consideráveis, mas a elevada densidade relativa faz com que esta espécie detenha maior área basal; em muitos indivíduos o tronco é perfilhado, contribuindo para o incremento da área basal. Em geral, é arvoreta típica da camada folhosa inferior, mas a de maior porte, alcançando, muitas vezes, a camada folhosa média; predominou na encosta. 
As espécies Sorocea bonplandii e Actinostemon concolor se destacaram devido à elevada densidade relativa, ambas têm o mesmo VI, entretanto, S. bonplandii possui maior dominância relativa e A. concolor maior densidade relativa, predominaram no topo e na base do morro.
Por conseguinte, deduziu-se a repartição do nicho de luminosidade no interior da camada folhosa inferior, onde Trichilia claussenii, em muitos casos, atingiu à camada folhosa média, seguida, abaixo por Sorocea bonplandii Actinostemon concolor, com necessidades de distintas qualidades e quantidades de luminosidade. A comunidade arbórea do morro detém maior representatividade de arvoretas tolerante a sombra e zoocórica, seguidas por tolerante a sombra e autocórica.
As espécies Eugenia rostrifoliaNectandra megapotamicaPachystroma longifolium e Cupania vernalis tiveram o VI elevado devido ao porte, ou seja, elevada dominância relativa, sendo frequentes nas zonas ecológicas. Observaram-se na camada folhosa média e superior. E. rostrifolia possui maior densidade relativa e frequência relativa e N. megapotamica maior dominância relativa, seguida por P. longifolium e C. vernalis. As espécies E. rostrifoliaN. megapotamica e C. vernalis são elementos típicos na Floresta Estacional Subtropical no centro do Estado, dessas, somente P. longifolium é tolerante a sombra e emergente, exigente às condições de luminosidade.
Demais espécies tiveram baixos valores sociais (VI), porém, determinaram a elevada riqueza de espécies, contribuindo para o incremento da diversidade biológica alfa, além de vários mecanismos e estratégias de estabelecimento de plântulas, desenvolvimento e dispersão de diásporos, que corroboram na manutenção e estabilidade da comunidade arbórea diante de distúrbios naturais e perturbações.  
No topo e na base as espécies com maior valor de importância, foram Sorocea bonplandii e Actinostemon concolor e na encosta foi Trichilia claussenii. Este fenômeno relaciona-se à topografia e luminosidade, no topo e na base do morro, a topografia é relativamente plana e, desse modo, proporciona as condições mais adequadas ao estabelecimento de plântulas e desenvolvimento, consequentemente, nestes locais ocorreram maior número de árvores, isto é, maior adensamento das árvores formando os ambientes de maior densidade de cobertura vegetal, de tal modo, que a camada folhosa inferior ou abaixo tende a receber menor luminosidade. 
Na encosta, o estabelecimento das plântulas e o desenvolvimento são prejudicados por deslizamentos, desmoronamentos e solos rasos, entre outros distúrbios naturais, consequentemente, esses locais possuem menos árvores e maior luminosidade, e de certa forma, favorece o desenvolvimento de Trichilia claussenii
A encosta do morro, em estudo, se encontra na orientação Sul, e desse modo, recebe menor incidência de luminosidade durante o período do inverno; a penetração da luminosidade no interior da vegetação arbórea sofre influências do ângulo de incidência da radiação solar devido à topografia inclinada.
Com base em Odum (1988), Ricklefs (1994), Puig (2008) e Whitemore (2010) a luminosidade desempenha funções essenciais na vegetação arbórea, pois as variações em sua intensidade e composição de seu espectro influenciam o crescimento, reprodução e produtividade das comunidades arbóreas e, indiretamente, na fitossociologia espacial. A diminuição da intensidade luminosa no interior da vegetação arbórea varia evidentemente em função da forma, densidade de cobertura vegetal, agitação das folhas e ângulo de incidência dos raios solares. 
As zonas ecológicas são constituídas por florística pouco dissimilar, mas as mudanças na fitossociologia espacial são evidentes demonstrando as distintas fases de dinâmica ou homeostasia, e desse modo, os mosaicos florestais, isto é, unidades de vegetação em diferentes fases de silvigênese.
No topo do morro detectou-se a fase de homeostasia, conforme o exame das espécies registradas, fato relacionado à topografia relativamente plana, a história de ocupação do local e ao difícil acesso antrópico. Já a base e a encosta se encontrram em fase de dinâmica, conforme a representatividade das espécies características da sucessão ecológica inicial avançada e ao elevado número de árvores suprimidas.
Segundo Longhi et al. (1986) na base do morro, devido ao fácil acesso, ocorreram maior exploração de madeiras, e de fato, constataram-se muitos cepos, inclusive, se verificaram clareiras e efeitos de borda, como as estradas para retirada de madeiras e plantações de cultivo agrícola cíclico, como fumo e milho.  
Na estratificação vertical examinaram-se três camadas folhosas, que variaram quanto à densidade, altura e amplitude, entre as zonas ecológicas. As camadas folhosas foram rarefeitas nas unidades amostrais instaladas na encosta, principalmente, a camada folhosa superior, esse fenômeno ocorre devido à declividade (solos rasos, deslizamento e desmoronamento) e, portanto, o efeito de alavanca deve ser intenso, ficando as árvores emergentes mais vulneráveis aos distúrbios naturais, principalmente, ao vento, inclusive, se observou maior número de clareiras complexas e múltiplas. 
A composição de guildas ecológicas com maior riqueza de espécies foram as dependentes da luminosidade e zoocórica, seguidas por tolerantes a sombra e zoocórica, porém a maior representatividade de indivíduos tolerantes a sombra e zoocórica ou autocórica, devido principalmente às arvoretas típicas da camada folhosa inferior.
A guilda ecológica autocórica possui três estratégias de requerimento de luminosidade: Actinostemon concolor tolerante a sombra predomina na camada folhosa inferior; Sebastiania brasiliensis dependente da luminosidade foi registrada na camada folhosa inferior e com poucos indivíduos na camada folhosa média; e as espécies pioneiras Sapium glandulosum e Tetrorchidium rubrivenium registradas na camada folhosa superior. 
A estratégia autocórica é eficiente na dispersão dos diásporos a curta distância, sendo localmente muito eficaz refletindo na elevada densidade relativa de Actinostemon concolor e na distribuição de Sebastiania brasiliensis. No entanto, a diferença de abundância dessas espécies deve estar relacionada à densidade da comunidade arbórea, favorecendo a espécie tolerante a sombra. Segundo Marchiori (2000), Actinostemon concolor desenvolveu o mecanismo de competição interespecífico com outras plantas durante o estabelecimento inicial, suportando elevadas densidades.
A guilda ecológica anemocórica possui duas estratégias de requerimento de luminosidade, dependentes da luminosidade com ampla distribuição no local de estudo e a pioneira, restrita na encosta-inferior. Em geral, as espécies anemocóricas dependentes de luz ocorrem em todas as camadas folhosas e a pioneira ocorreu somente na camada folhosa superior. Neste sentido, as espécies anemocóricas dependentes da luminosidade devem se relacionar com o período estacional da floresta subtropical que permite a dispersão dos diásporos com maior eficiência no período de perda das folhas, principalmente, as espécies da família Fabaceae, havendo a necessidade de estudos que examinem a sincronia entre a dispersão dos diásporos e a queda das folhas.
Por sua vez, a guilda ecológica zoocórica possui as espécies pioneiras, dependentes de luminosidade e tolerantes a sombra. As tolerantes a sombra predominaram nas zonas ecológicas e nas camadas folhosas, seguida por dependentes da luminosidade e pioneiras. O predomínio de zoocóricas é padrão nas comunidades arbóreas neotropical, em florestas tropicais e subtropicais, afirmando a importância da fauna nos mecanismos de dispersão dos diásporos. Ressalta-se a necessidade de estudos que avaliem se os frugívoros são especialistas ou generalistas, se seus itinerários e comportamento orientam os fluxos dos diásporos.
Evidenciaram-se quatro variáveis ambientais relacionadas à composição de guildas ecológicas; a proporção da variação do modelo não explicada induz a refletir que fatores estocásticos ponderaram sobre o ambiente essencialmente na distribuição das espécies e, de modo geral, a disponibilidade de água, nutrientes são fatores preponderantes (COSTA, 2010), além do agente dispersor.
A estimativa dos descritores de fitossociologia espacial permitiu estabelecer os valores sociológicos para as espécies, e desse modo, observou-se que a vegetação arbórea está constituída por zonas ecológicas com distintas fitossociologia espacial e dinâmica florestal.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

             
            Da mensuração das variáveis de altimetria e morfometria, pode-se concluir que:
      Os diferentes segmentos de posição do relevo representados pelas unidades de perfil representam a heterogeneidade espacial dos processos geomorfológicos, os quais originam distintas zonas ecológicas na vertente caracterizadas por uma fitossociologia espacial e dinâmica florestal.
      A composição de guildas ecológicas relacionou-se com as variáveis: altitude, declividade, exposição solar e profundidade do solo. As demais, variações correspondem ao ruído, isto é, a porção de variáveis abióticas e bióticas não contempladas neste estudo.

Da análise da florística nas diferentes zonas ecológicas conclui-se:
      A vegetação arbórea do Morro do Botucaraí diferencia-se de locais inventariados na região Central do Estado devido, principalmente, a ocorrência de Euterpe edulis e Roupala montana, além de Pachystroma longifolium e Ocotea silvestris.
      A florística entre as diferentes zonas ecológicas foram poucos dissimilares, algumas espécies foram peculiares a determinados ambientes, como Ocotea silvestris que ocorreu somente no topo e Roupala montana no topo e, principalmente, na encostasuperior. Trichilia claussenii predominou nas zonas ecológicas da encosta e Actinostemon concolor e Sorocea bonplandii foram predominantes nos ambientes de topografia relativamente plana.

Da análise da fitossociologia espacial horizontal concluiu-se:
      As espécies com maior valores social foram Trichilia clausseniiSorecea bonplandii e Actinostemon concolor, Eugenia rostrifolia, Nectandra megapotamica, Pachystroma longifolium e Cupania vernalis. As três primeiras são típicas do sub-bosque e são espécies clímax; indicando a fase de madureza da vegetação arbórea.
      Nas zonas ecológicas de topografia plana as espécies com maior valores social foram Sorocea bonplandii e Actinostemon concolor; nas zonas ecológicas de topografias inclinadas a espécie com maior valor social foi Trichilia claussenii, este fenômeno está relacionado ao adensamento da vegetação e ângulo de incidência da radiação solar.

Da análise da fitossociologia vegetal vertical, conclui-se que:
      As diferentes zonas ecológicas são representadas por três camadas folhosas, as quais possuem valores de densidades, de alturas e de amplitudes distintas.
      A florística é bastante similar na camada folhosa inferior entre as distintas zonas ecológicas, porém, na camada folhosa média e superior é dissimilar.
Da análise da composição de guildas ecológicos conclui-se que:
      Nas zonas ecológicas da vertente do morro ocorrem diferentes proporções da composição de guilda ecológicas, sendo que as árvores tolerantes a sombra e zoocóricas predominaram em todas as zonas ecológicas e em todas as camadas folhosas da estratificação vertical, seguidas das árvores dependentes da luminosidade e zoocóricas ou das tolerantes a sombra e autocóricas.
      A caracterização dos processos de sucessões ecológicas secundárias e silvigênese é essencial para estratégias de manutenção e conservação de comunidades arbóreas, inclusive, no desenvolvimento de sistemas silvicuturais visando o manejo ecológico e sustentável...
***************************editado*******************************

              
CONCLUSÃO


 Os resultados dos dois capítulos apresentados demostram que a vegetação arbórea da Montanha do Botucaraí possui uma heterogeneidade ambiental condicionada por inúmeras variáveis físicas, químicas e biológicas. Entre as variantes físicas destacam-se as oriundas da altimetria e a morfometria que condicionam, em parte, a modificação na florística, na estrutura ecológica, na fitossociologia espacial e na dinâmica florestal, permitindo, desse modo, dectectar distintas zonas ecológicas nas diferentes posições de segmento do relevo da montanha.